SANTIAGO - A polícia do Chile prendeu ao menos 235 pessoas nesta quinta-feira, 4, após dispersar manifestações de estudantes na capital do país. Centenas de jovens marcharam nas ruas de Santiago como parte de um movimento para exigir melhoras na educação pública, informa a agência AFP. As passeatas não haviam sido autorizadas pelo governo.Os estudantes tentavam se reunir na Praça Itália, onde começariam a passeata. Mas antes mesmo de iniciarem a marcha, foram dispersados pela polícia, que disparou bomba de gás lacrimogêneo e usou canhões de água, impedindo que o movimento chegasse a uma das principais avenidas da capital.
"Temos todo o direito de nos manifestar, mas não permitiram que os companheiros o fizessem porque a polícia os reprimiu", disse Rodrigo Rivera, dirigente estudantil, à imprensa local. Os jovens tentaram se reunir uma vez mais nas ruas próximas, mas foram dispersados outra vez. Uma dirigente estudantil disse que "o centro de Santiago está em estado de sítio".
Apesar da situação de instabilidade e das detenções, a realização de uma nova marcha foi mantida pelos estudantes. Assim como ocorreu de manhã, eles devem se congregar na Praça Itália.
O governo não autorizou as marchas para evitar danos à propriedade pública e privada, como os provocados em três passeatas anteriores, quando cerca de 80 mil pessoas tomaram as ruas da capital chilena e houve confronto com as forças de segurança. "Tivemos a prudência de respeitar os direitos de expressão, mas há um limite para que um grupo de pessoas não prejudique outras", disse Andrés Chadwick, porta-voz do governo, a uma rádio local.
Os estudantes, que protestam há cerca de dois meses, querem reformas constitucionais para melhorar a educação pública chilena e exigem que seja extinta a prática do lucro nas universidades. O governo entregou na segunda uma proposta de 21 pontos para atender às exigências estudantis, mas o projeto foi tachado de "insuficiente" e rejeitado.
Aprovação do governo
O descontentamento da população com a educação refletiu-se nesta segunda de forma mais ampla. A mais recente edição de uma pesquisa mensal de popularidade indica que apenas 26% dos chilenos aprovam o trabalho do presidente Sebastián Piñera. Trata-se de uma nova mínima na popularidade de Piñera e do mais baixo nível já registrado por um presidente no Chile desde a redemocratização do país, duas décadas atrás. A sondagem do Centro de Estudos Públicos mostra que a desaprovação do trabalho alcança 53%.
Fonte: www.estadao.com.br

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